Exportações de carne bovina recuam 26% em agosto e setor teme impacto de tarifa maior da China

Frigoríficos já adotam medidas como férias coletivas enquanto indústria acompanha possível esgotamento da cota brasileira com tarifa reduzida no mercado chinês. As exportações brasileiras de carne bovina registraram uma queda expressiva em agosto, aumentando a preocupação de frigoríficos e produtores com os efeitos de uma possível elevação tarifária por parte da China, principal destino do […]

Frigoríficos já adotam medidas como férias coletivas enquanto indústria acompanha possível esgotamento da cota brasileira com tarifa reduzida no mercado chinês.

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As exportações brasileiras de carne bovina registraram uma queda expressiva em agosto, aumentando a preocupação de frigoríficos e produtores com os efeitos de uma possível elevação tarifária por parte da China, principal destino do produto brasileiro.

Dados parciais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam que os embarques recuaram cerca de 26% na comparação com agosto do ano passado.

A média diária exportada caiu de aproximadamente 12,7 mil toneladas para 9,4 mil toneladas, sinalizando uma desaceleração importante depois de meses de crescimento nas vendas externas.

Setor teme esgotamento da cota chinesa

A principal preocupação da indústria está relacionada à cota definida pela China para a entrada da carne brasileira com tarifa reduzida.

O Brasil recebeu um limite de 1,106 milhão de toneladas sujeito à tarifa de importação de 12%.

Quando esse volume for ultrapassado, os embarques poderão continuar, mas a tarifa sobre o excedente poderá chegar a 55%.

Para representantes do setor, o limite pode já ter sido atingido quando são considerados também os carregamentos que deixaram o Brasil e ainda estão em trânsito para os portos chineses.

Oficialmente, autoridades da China indicam que aproximadamente 90% da cota foi utilizada, mas o cálculo não inclui necessariamente toda a mercadoria que ainda está sendo transportada.

Frigoríficos começam a sentir os efeitos

A possibilidade de uma tarifa maior já influencia o planejamento das empresas brasileiras.

Segundo representantes da indústria, alguns frigoríficos começaram a adotar medidas de ajuste, incluindo férias coletivas, diante da expectativa de redução das vendas para o mercado chinês.

A China ocupa posição central nas exportações brasileiras de carne bovina e, embora outros destinos estejam ampliando suas compras, especialmente na Ásia, o setor avalia que nenhum mercado teria capacidade individual para substituir rapidamente o volume atualmente direcionado aos chineses.

Queda interrompe sequência de crescimento

O recuo observado em agosto ocorre após um primeiro semestre positivo para o setor.

Entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina cresceram aproximadamente 10% em volume em comparação com o mesmo período do ano passado.

Por isso, a mudança de cenário provocada pela política comercial chinesa aumentou a atenção de produtores, frigoríficos e autoridades brasileiras.

Governo negocia ampliação da cota

O Ministério da Agricultura e Pecuária informou que mantém diálogo com o governo chinês para tentar reduzir os impactos da medida.

O Brasil já apresentou propostas relacionadas ao comércio bilateral e pediu uma possível ampliação da cota destinada ao país em 2026.

No fim de julho, o governo brasileiro também comunicou formalmente às autoridades chinesas sua preocupação com a velocidade de utilização do limite estabelecido.

A estratégia do governo inclui ainda a abertura de novos mercados e a ampliação das exportações para outros países, com o objetivo de reduzir a dependência de poucos compradores internacionais.

Enquanto as negociações continuam, o setor acompanha os próximos números de exportação e os possíveis efeitos da tarifa sobre a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional.