Durigan reconhece preocupação com dívida pública e defende redução de benefícios fiscais

Ministro da Fazenda afirma que governo pretende reforçar o controle de despesas e melhorar as contas públicas nos próximos anos O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu nesta quinta-feira (6) que a trajetória de crescimento da dívida pública brasileira exige atenção do governo. Segundo ele, a estratégia para melhorar o cenário fiscal deverá incluir maior […]

Ministro da Fazenda afirma que governo pretende reforçar o controle de despesas e melhorar as contas públicas nos próximos anos

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu nesta quinta-feira (6) que a trajetória de crescimento da dívida pública brasileira exige atenção do governo.

Segundo ele, a estratégia para melhorar o cenário fiscal deverá incluir maior controle dos gastos públicos e a revisão de benefícios e incentivos fiscais.

Durante entrevista à GloboNews, Durigan afirmou que não considera que o Brasil esteja vivendo uma situação de descontrole fiscal. Entretanto, admitiu que existem dificuldades relacionadas ao financiamento da dívida pública e à emissão de novos títulos pelo Tesouro Nacional.

A dívida pública avançou mais de dez pontos percentuais durante o atual mandato presidencial e atingiu o maior patamar registrado desde 2021.

Para o ministro, embora o governo tenha conseguido cumprir metas e realizar ajustes nas contas públicas, as projeções para os próximos anos ainda geram preocupação.

Durigan explicou que o governo pretende continuar realizando cortes, bloqueios orçamentários e ajustes nas despesas sempre que necessário. Também destacou que a redução de benefícios fiscais poderá contribuir para aumentar a arrecadação e diminuir o déficit público.

Um dos principais desafios mencionados pelo ministro é a chamada rolagem da dívida, processo no qual o governo emite novos títulos públicos para pagar aqueles que estão próximos do vencimento.

Nos últimos meses, o Tesouro Nacional tem enfrentado dificuldades para vender títulos com juros reais, descontada a inflação, próximos de 8% ao ano.

O nível elevado de remuneração exigido pelos investidores reflete a percepção de risco em relação ao crescimento dos gastos e do endividamento público.

Segundo Durigan, a política fiscal é uma das principais ferramentas disponíveis para o governo reduzir a desconfiança do mercado e contribuir para a diminuição dos juros no país.

O ministro também reconheceu que o comportamento das contas públicas influencia diretamente as taxas de juros brasileiras.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 14% ao ano, permanecendo entre as maiores do mundo quando considerada a inflação.

Apesar disso, Durigan ressaltou que fatores internacionais também afetam os juros de longo prazo no Brasil, como conflitos militares, oscilações no preço do petróleo e mudanças na política monetária dos Estados Unidos.

Para o ministro, o período eleitoral também aumenta o nível de incerteza entre investidores, principalmente nas decisões relacionadas à compra de títulos públicos de longo prazo.

Durigan afirmou ainda que o arcabouço fiscal continuará sendo uma referência para a condução da política econômica e que o governo deverá reforçar as medidas de responsabilidade fiscal nos próximos anos.

Ao concluir, o ministro destacou que a redução dos juros é fundamental não apenas para diminuir o custo da dívida pública, mas também para estimular investimentos, consumo e crescimento econômico.