MEC e Ministério da Saúde criam grupo técnico para revisar abertura de cursos de medicina no Brasil

Equipe formada por especialistas vai reavaliar critérios para autorização de novas graduações médicas, com foco na qualidade do ensino e na distribuição regional de profissionais de saúde

O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) instituíram um grupo técnico estratégico para revisar as regras de autorização de novos cursos de medicina no Brasil. A iniciativa tem como base a Lei nº 12.871/2013, que instituiu o Programa Mais Médicos, e busca alinhar a expansão do ensino médico às necessidades reais do sistema de saúde brasileiro.

O objetivo central da medida é reduzir desigualdades regionais na oferta de profissionais de saúde, garantindo que novas vagas em cursos de medicina sejam abertas prioritariamente em regiões com escassez de médicos e com infraestrutura adequada para a formação acadêmica e prática dos estudantes. Segundo as duas pastas, a revisão também pretende reforçar os critérios de qualidade exigidos para a autorização de novas graduações.

O grupo técnico é formado por especialistas e representantes das áreas de educação superior e planejamento da saúde dos dois ministérios. A equipe terá a missão de analisar dados sobre a distribuição atual de médicos no país, a capacidade da rede hospitalar e de atenção básica para receber estudantes em estágio e internato, além das demandas regionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

O primeiro encontro do grupo ocorreu em 4 de março, quando foram debatidos os fatores que levaram à revogação do Edital nº 1/2023, que previa a abertura de novos cursos de medicina no país. Entre os pontos discutidos estão o crescimento acelerado de vagas decorrente de decisões judiciais e a ampliação de cursos autorizados por sistemas estaduais e distrital de ensino. Esses movimentos, segundo técnicos envolvidos nas discussões, exigem uma análise mais aprofundada para evitar expansão desordenada da formação médica.

De acordo com os ministérios, o aumento do número de cursos nos últimos anos levantou preocupações sobre a capacidade de hospitais e unidades de saúde de oferecer campos de prática adequados, elemento considerado essencial para garantir a qualidade da formação médica.

Os trabalhos do grupo técnico devem continuar pelos próximos 60 dias, período em que serão realizados estudos e reuniões técnicas para consolidar novas diretrizes regulatórias. A expectativa do governo federal é que o processo resulte em um modelo mais equilibrado de expansão do ensino médico, priorizando regiões com maior carência de profissionais e fortalecendo a estrutura de formação ligada ao SUS.

A revisão das regras ocorre em meio ao debate nacional sobre a necessidade de ampliar o número de médicos no país, especialmente em regiões remotas e periferias urbanas, ao mesmo tempo em que se busca assegurar padrões rigorosos de qualidade na educação médica. Segundo o MEC e o Ministério da Saúde, a meta é garantir que a abertura de novos cursos contribua efetivamente para fortalecer o sistema público de saúde e formar profissionais preparados para atuar em diferentes realidades do Brasil.