Após meses de espera, AGU diz que buscará “novamente” o diálogo com senadores; Planalto confirma envio da indicação nesta terça-feira
O advogado-geral da União, Jorge Messias, voltou ao centro da disputa por uma cadeira no Supremo Tribunal Federal com um discurso de conciliação e articulação política. Nesta terça-feira, 31 de março de 2026, ele afirmou que pretende buscar “novamente” o diálogo com senadores para viabilizar sua aprovação, após o Palácio do Planalto confirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhará ao Senado a mensagem formalizando sua indicação para o STF.
Em declaração pública, Messias adotou um tom moderado ao defender entendimento, pacificação e estabilidade institucional. Ao falar sobre a nova etapa, disse que seguirá sua jornada no Senado “com humildade e fé”, apostando no diálogo como caminho para superar resistências e consolidar apoio entre os parlamentares.
A formalização da indicação ocorre depois de uma longa espera. Lula anunciou Messias como escolhido para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso em 20 de novembro de 2025, mas o envio da mensagem presidencial ficou travado por mais de quatro meses em meio ao risco de rejeição no Senado e à resistência de setores da Casa, especialmente de aliados do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que defendiam o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga.
Nos bastidores, a avaliação do governo mudou nas últimas semanas. Reportagens publicadas nesta terça apontam que o Planalto passou a considerar o ambiente político mais favorável para Messias, depois de novas conversas com lideranças e de uma articulação mais intensa do próprio AGU junto aos senadores. A leitura agora é de que há margem para avançar com a indicação, ainda que o calendário da sabatina continue indefinido.
A próxima etapa depende diretamente do Senado. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, afirmou que marcará a sabatina assim que receber formalmente o nome encaminhado por Davi Alcolumbre. Mesmo com o gesto do Planalto, a tramitação não será automática: a indicação precisa passar pela CCJ e depois ser aprovada no plenário por maioria absoluta, com ao menos 41 votos favoráveis.
O movimento recoloca pressão sobre a cúpula do Senado e transforma a indicação de Jorge Messias em um novo teste para a relação entre Executivo e Congresso. Depois de meses de impasse, o governo tenta demonstrar força ao tirar a nomeação da gaveta, enquanto o AGU aposta em uma estratégia menos confrontadora e mais política para chegar ao Supremo. O desafio, agora, deixou de ser apenas a escolha de Lula e passou a ser a construção de uma maioria capaz de transformar a indicação em posse.



