O dólar encerrou esta segunda-feira (27) em queda pelo terceiro dia consecutivo, sendo cotado a R$ 4,9823 — recuo de 0,31%. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em baixa de 0,61%, aos 189.579 pontos, refletindo um cenário de cautela nos mercados globais.

A desvalorização da moeda americana ocorre em meio à alta dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelas incertezas envolvendo as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. Mesmo com um cessar-fogo em vigor, o impasse diplomático segue pressionando os investidores.
Tensão no Oriente Médio pressiona mercados
O cenário geopolítico continua sendo o principal fator de atenção. O Irã apresentou uma proposta para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz — responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo —, condicionando a medida ao fim das sanções e ao adiamento das discussões sobre o enriquecimento de urânio.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência de Washington. A Casa Branca afirmou que avalia a oferta, mas reforçou que suas exigências permanecem inalteradas. O presidente Donald Trump, inclusive, cancelou uma missão diplomática ao Paquistão, reduzindo as expectativas de avanço nas negociações.
Além disso, o chanceler iraniano realizou uma visita à Rússia para se reunir com Vladimir Putin, reforçando articulações internacionais em meio ao conflito.
A instabilidade tem afetado diretamente o tráfego marítimo na região do Golfo Pérsico, elevando o risco de interrupções no fornecimento global de energia — fator que impulsiona o preço do petróleo.
Nesta segunda-feira, o barril do tipo Brent chegou a superar US$ 108, recuando posteriormente para cerca de US$ 106, ainda em patamar elevado.
Pressão inflacionária no Brasil
No cenário doméstico, o mercado financeiro também reagiu à divulgação do Boletim Focus, que trouxe nova revisão para cima nas projeções de inflação.
Para 2026, a estimativa subiu de 4,80% para 4,86%, marcando a sétima alta consecutiva. A pressão é atribuída, principalmente, ao aumento nos preços do petróleo e seus efeitos na cadeia econômica.
Apesar disso, as expectativas para a taxa Selic permanecem estáveis em 13% ao ano ao final de 2026, indicando perspectiva de queda ao longo do período. Já o crescimento do PIB teve leve ajuste negativo, passando de 1,86% para 1,85%.
Mercados internacionais sem direção única
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam sem tendência definida. O S&P 500 e o Nasdaq registraram leves altas, enquanto o Dow Jones teve pequena queda, refletindo o ambiente de incerteza global.
Na Europa, o cenário foi predominantemente negativo, com quedas nas principais bolsas, incluindo Alemanha, França e Reino Unido.
Já na Ásia, os mercados encerraram o dia de forma mista, com altas no Japão e Coreia do Sul, enquanto Hong Kong registrou leve recuo.
Perspectivas
Com o cenário geopolítico ainda instável e sem avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã, os investidores devem continuar atentos aos desdobramentos no Oriente Médio. O comportamento do petróleo e seus impactos na inflação global seguem como principais fatores de influência sobre o câmbio e os mercados financeiros.





