Dez anos após sua primeira participação no reality, a jornalista Ana Paula Renault conquistou o público e se consagrou campeã do Big Brother Brasil 26, consolidando uma trajetória marcada por intensidade, posicionamento firme e uma leitura estratégica do jogo. Em entrevista após a vitória, a mineira abriu o jogo sobre sua evolução dentro do programa, os conflitos vividos na casa e os elementos que considera fundamentais para o triunfo.
Ao chegar à grande final ao lado de Milena e Juliano Floss, Ana Paula integrou o grupo conhecido como “Eternos”, aliança que, apesar de sólida, enfrentou momentos de tensão ao longo da temporada. Segundo a campeã, o diferencial foi a capacidade de manter o equilíbrio emocional entre os integrantes.
“Tentávamos manter a lucidez de todos. Eu mesma reconheço que tenho antipatias fortes, e isso poderia me prejudicar. Por isso, fazia questão de ouvir as opiniões deles, inclusive sobre mim”, afirmou.
A jornalista destacou que a troca constante de ideias dentro do grupo foi essencial para evitar decisões precipitadas.
“Aprendi que não existem verdades absolutas. Essa escuta ativa nos manteve mais conscientes dentro do jogo”, completou.
Racha no grupo e conflitos estratégicos
Um dos momentos decisivos da temporada foi o rompimento com o grupo do Quarto “Sonho do Grande Amor”, posteriormente apelidado por Ana Paula de “Randevú”. A aliança, que inicialmente visava fortalecer os participantes contra adversários em comum, acabou se desgastando por falta de transparência.
De acordo com a campeã, o estopim ocorreu após integrantes do grupo esconderem informações sobre vantagens adquiridas na chamada “Máquina do Poder”.
“Mentiram para a Milena dizendo que não havia nada na caixa. Aquilo foi um sinal claro de que não estávamos sendo tratados como aliados de verdade”, revelou.
Outro episódio que contribuiu para o rompimento foi a interrupção constante de falas de Juliano Floss durante discussões estratégicas. “Percebemos que estavam nos excluindo das decisões. Era um jogo de conveniência, e entendemos que aquilo não iria se sustentar”, explicou.
De participante impulsiva à jogadora focada
Ao comparar sua participação no Big Brother Brasil 16 com a edição atual,
Ana Paula foi direta: a principal diferença foi o foco.
“Na primeira vez, entrei pela experiência, achando que ficaria pouco tempo. Era tudo muito novo e leve para mim”, relembrou.
Já no BBB 26, a postura foi completamente diferente. “Entrei com uma missão. Estava focada e determinada. Queria sentir o jogo, entender as pessoas e, a partir disso, construir meu caminho”, afirmou. Segundo ela, a estratégia foi sendo moldada ao longo do confinamento. “Não entrei com algo pronto. Fui observando, juntando peças e me adaptando conforme o jogo avançava.”

Apelidos, humor e estratégia psicológica
Um dos traços mais marcantes da participação de Ana Paula foi o uso constante de apelidos para se referir aos colegas de confinamento. Nomes como “Quinta Série”, “Coordenadora do Resort” e “Sarinha Caça-Enredo” viralizaram nas redes sociais e se tornaram parte da narrativa da edição.
Para a campeã, o recurso ia além do humor.
“Era uma forma de não sucumbir à pressão. Quando percebi que muitos não entendiam meu sarcasmo, usei isso a meu favor. Irritava e, ao mesmo tempo, me mantinha firme no jogo”, explicou.
Rivalidades e leitura de jogo
Entre os principais adversários da temporada, Ana Paula destacou Jonas Sulzbach e Alberto Cowboy. Segundo ela, ambos adotavam uma postura que não condizia com suas atitudes dentro da casa. “Eles se colocavam como exemplos de moral, mas escorregavam quando estavam fora desse personagem”, afirmou.
A partir dessa percepção, a jornalista definiu uma estratégia clara: expor incoerências. “Queria que o público enxergasse o que realmente acontecia. Mostrar quem eles eram quando a máscara caía”, disse.
Apoio do público e missão cumprida
Ao final da jornada, Ana Paula fez questão de destacar o papel decisivo do público em sua vitória. “Nada disso teria sentido sem o apoio das pessoas. Tenho certeza de que cumpri minha missão porque o público esteve comigo do início ao fim”, declarou.
Com uma trajetória marcada por autenticidade, conflitos intensos e uma estratégia construída de forma orgânica, Ana Paula Renault encerra sua participação no BBB 26 como uma das campeãs mais emblemáticas da história recente do reality





